Militante.
Representada por Alexandre Braga (foto), a Unegro
é uma das entidades que apoia campanhas RODRIGO CLEMENTE
- 12.5.2006 Militante.
Representada por Alexandre Braga
(foto), a Unegro é uma das entidades que apoia campanhas
No último Censo, realizado em 2000 pelo IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística), a porcentagem
da população negra (parda e preta) do país somou 45,3%,
e apenas 0,3% se declararam praticantes de religiões
de matrizes africanas. Para as entidades negras, esses
números ainda não refletem o real percentual existente
no Brasil. Por isso, foram criadas, para o Censo 2010,
duas campanhas que visam aumentar o número de declarações
afirmativas da cultura negra no país. Enquanto a primeira,
intitulada Quem É de Axé Diz que É!, busca criar maior
visibilidade ao número de praticantes de religião
de matriz africana; a outra, Pelo Enegrecimento daPopulação,
pretende aumentar o número de autodeclarações da cor/raça
negra. "A gente aposta que o Censo de 2010 será
fundamental para mostrar que a população negra é maioria
no país. Trata-se de uma campanha internacional, que
acontece também em outros países da América Latina.
Nosso objetivo é mostrar a real dimensão da população
negra, pois assim as políticas públicas serão cada
vez mais direcionadas para esse segmento", opina
Alexandre Braga, coordenador de comunicação da Unegro
(União de Negros pela Igualdade), que apoia as duas
campanhas. Para o coordenador, o fato de terem surgido
ações afirmativas para negros nas universidades é
outro fator que impulsiona um aumento nas autodeclarações
de pardos e pretos neste Censo. "A partir dessas
ações, a autoestima em se declarar negro aumenta muito
e o preconceito sobre a cor diminui", afirma.
Já em relação às religiões africanas, especialmente
a umbanda e o candomblé, o aumento nas declarações
dos praticantes será fundamental para confrontar a
histórica intolerância que existe no país. "Atualmente,
elas tendem a ser demonizadas, inclusive nos meios
de comunicação controlados por outras religiões. Esperamos
que essa campanha e, futuramente, os dados do Censo,
ajudem a reverter a situação".
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